Assemperj questiona proposta de substituir servidores por inteligência artificial

Proposta de deixar de realizar concursos para repor vagas abertas por aposentadorias levanta preocupações sobre o futuro do serviço público.

A substituição gradual de servidores aposentados por inteligência artificial, em vez da realização de novos concursos públicos, foi defendida recentemente durante a discussão sobre os gastos e o funcionamento da máquina pública. A proposta levanta uma questão central: até que ponto a busca por redução de despesas pode comprometer a capacidade das instituições de cumprir suas atribuições?

A inteligência artificial pode contribuir para automatizar tarefas e agilizar processos, mas isso não significa que seja possível dispensar a reposição de profissionais sem consequências. As atividades continuam existindo e exigem conhecimento técnico, análise e responsabilidade. Com equipes reduzidas, parte dessa demanda pode acabar concentrada nos servidores que permanecem na ativa, ampliando a sobrecarga e prejudicando o atendimento à população.

No Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os servidores desempenham funções essenciais para o funcionamento da instituição. A experiência acumulada e o conhecimento das rotinas de trabalho não podem ser desconsiderados em nome da automação. A incorporação de novas ferramentas precisa levar em conta as necessidades de cada área e as condições necessárias para que o serviço público funcione adequadamente.

Para a Assemperj, modernizar a administração pública não pode significar reduzir o quadro de pessoal e limitar a realização de concursos. A tecnologia deve ser utilizada para melhorar os serviços prestados à sociedade, com a valorização dos servidores e a garantia de condições adequadas de trabalho.