A ASSEMPERJ se reuniu na última segunda-feira (19/01) com a equipe do Projeto Acolher (veja aqui) para avaliar o andamento das ações, acompanhar os resultados iniciais e definir estratégias de ampliação e aperfeiçoamento do programa. Com foco na prevenção ao adoecimento relacionado ao trabalho no âmbito do MPRJ, a iniciativa vem realizando acolhimentos e atividades voltadas à promoção da saúde mental dos servidores, com destaque para o atendimento psicológico, a pesquisa sobre saúde do trabalhador e a busca ativa de casos de assédio moral.
Durante o encontro, a psicóloga Milena Gonçalves Ferreira apresentou os principais resultados do projeto de prevenção iniciado em julho de 2025, com previsão de continuidade até agosto de 2026, estruturado em três etapas: diagnóstico situacional, intervenções e sistematização de dados. Atualmente, o grupo de acolhimento se reúne de forma regular, com a realização de encontros coletivos e acolhimentos individualizados.
Segundo Milena, o trabalho desenvolvido permitiu identificar padrões recorrentes de violência institucional e fatores de risco psicossocial, como assédio moral, controle excessivo do tempo, desorganização de processos e uma cultura marcada por hierarquias rígidas. Entre as conquistas apontadas estão a consolidação do grupo como espaço permanente de escuta e suporte, a validação coletiva do sofrimento institucional e a formação de uma rede de apoio entre os participantes.
O atendimento psicológico aos servidores também vem apresentando resultados positivos em curto prazo. Em menos de um mês, já foi observada redução de sintomas entre os participantes, com enfoque na compreensão do sofrimento não como uma fragilidade individual, mas como um fenômeno coletivo e institucional. Para 2026, a equipe prevê a ampliação do alcance do projeto, com a implementação de plantões psicológicos em horários alternados e a realização de oficinas educativas voltadas ao enfrentamento do assédio moral.
Outro eixo central debatido na reunião foi o projeto de busca ativa de casos de assédio moral, apresentado pelo coordenador Bruno Chapadeiro. A proposta articula acolhimento às vítimas e produção qualificada de dados para pesquisa, com potencial de subsidiar relatórios e publicações científicas. O professor destacou a importância do trabalho coletivo para combater o isolamento vivido por servidores em situação de assédio e apresentou alternativas para ampliar a adesão ao projeto, como questionários anônimos e ações itinerantes, inspiradas em experiências sindicais bem-sucedidas na área da saúde do trabalhador.
A divulgação dos projetos e da pesquisa sobre saúde do trabalhador também foi amplamente discutida. A equipe avaliou propostas para criação de materiais informativos e conteúdos gráficos, além da simplificação do formulário de pesquisa, com estratégias para facilitar o preenchimento — incluindo a divisão do questionário em etapas menores e mais acessíveis. Nesse ponto, a diretoria da ASSEMPERJ também deliberou pela abertura de diálogo institucional com o Núcleo de Saúde do MPRJ, para compreender as pesquisas já realizadas pela Instituição e buscar formas de integração e aproveitamento de dados existentes.
Ao final, também foram definidas ações para fortalecer a articulação com o setor jurídico da ASSEMPERJ, com o objetivo de alinhar encaminhamentos em casos acompanhados, retomar contato com servidores atendidos anteriormente e produzir relatórios ampliados contendo diagnóstico situacional e recomendações.
A reunião reforçou o compromisso da ASSEMPERJ e da equipe do Projeto Acolher com a promoção da saúde do trabalhador no MPRJ, valorizando a escuta qualificada, a produção de evidências e a construção de estratégias coletivas para prevenção do adoecimento e enfrentamento do assédio no ambiente institucional.